quarta-feira, 1 de junho de 2011


(...)
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio

terça-feira, 31 de maio de 2011

"Vai-se andando"




Sábado, 9:30

O Café tem normalmente  meia dúzia de pessoas a esta hora . É aconchegado e quentinho no Inverno. No Verão tem sempre uma esplanada, agradável de manhã,  insuportável à tarde. Duas idosas tagarelam na mesa ao lado sobre tudo e nada … Mergulho no mundo jornalístico de fim de semana (única forma, e a suficiente, para me actualizar sobre o que se passa no país) e as vozes passam a soar vaga e imperceptivelmente nos meus ouvidos.

Adeus, que Deus nos dê saúde para irmos andando…”

Esta frase de uma delas, ao partir,  puxa-me para a realidade . A  ideia de que a saúde é algo de sobrenatural até tem a sua razão de ser. Na verdade, aquela geração e todas as outras que se lhe seguiram nunca viram algo que se assemelhasse a uma  verdadeira assistência na saúde. Por que  carga de água é que hão-de acreditar na saúde  dos homens? Acredita-se na saúde divina e pronto! Deus  dá o que quer e a mais não é obrigado e não há conhecimento de uma unica reclamação! Agora o “irmos andando” tem que se lhe diga. É uma expressão tão interiorizada que todos nós a usamos  frequentemente,    como resposta ao "como estás?" .  Uma coisa assim que nem é carne nem é peixe.Típico.

 Na verdade  este país sempre foi um país de  “ir andando”. Tanto andámos que hoje estamos à beira do precipício… “Andando e deixando andar…”  é o lema de muitos Portugueses que não estão para se preocupar sequer com a sua "vidinha" quanto mais com a do vizinho ou a do país...  Triste mas real.

Sim!

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.

Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.

Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.

Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dubrovnik uma cidade com carácter


Na proxima Terça Feira Dubrovnik espera-me para uma estadia de quatro dias. Sempre muito independente ao longo da sua história, esta cidade conserva as marcas de um passado de orgulho e esplendor. 
Em 1991 as tropas sérvias e montenegrinas cercaram e bombardearam a cidade causando enormes estragos. Com o fim da guerra iniciou-se um longo processo de reconstrução e, actualmente, a cidade brilha no Adrático como nos tempos em que era conhecida por Ragusa, a orgulhosa Ragusa.
A partir de Dubrovnik conto dar um salto a Mostar ,já na Bósnia, cidade com características muito peculiares e à ilha de Mljet considerada uma das mais belas ilhas da Cróacia, famosa pelo seu Parque Natural. Fica cumprida assim a primeira etapa do percurso croata.

domingo, 29 de maio de 2011

Alentejo, mon amour!




Gosto das cores ocres com que te vestes no principio do Verão…
O verde dá-te, por breves momentos , um ar distintamente Escocês no Inverno…
Se tivesses sexo serias mulher, claro… vestida de branco e azul forte.
Os teus olhos …ah! os teus olhos… seriam indiscutivelmente cor do mel .
Doces e profundos como a paisagem.