domingo, 29 de maio de 2011

Quem me dera...

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...

                        Alberto Caeiro

sábado, 28 de maio de 2011

No reino das reticências...





“usas demasiado as reticências…”
Este reparo, incondicionalmente verdadeiro, levou-me a tentar perceber por que razão adoptei estes três pontinhos como quem adopta um animal de estimação que vai viver lá para casa.…Curiosamente ,  há uns tempos atrás,  ao mexer nalguns papéis esquecidos há anos  numa estante em casa dos meus pais,  fui dar com uma composição feita  por mim quando tinha  15 anos. E… lá estavam as malditas reticências espalhadas pelo texto.
O meu professor da 4ª classe (sim, ainda sou do tempo  da 4ª classe) dizia ,  do alto do estrado,  que “as reticências são para usar quando uma ideia ou um pensamento fica incompleto”  Raios!! Será que sou tão incompleto assim nas minhas ideias? Sim porque acho que isto de usar e abusar de certas coisas deve ter a ver com a personalidade… Uma pessoa que adore o ponto de exclamação deve ser fresca,  deve….
Descobri,  afinal,  que posso usar as reticencias numa multiplicidade de funções. O que não invalida que as use mal em muitos casos… Mas..posso sempre invocar a liberdade de quem escreve, certo ? Afinal não se escrevem livros sem uma única vírgula???
Gramem lá as minhas reticências e pronto…


As duas torres, ex libris da cidade de Bolonha, estão naturalmente...inclinadas.A curiosa história das torres de Bolonha, que na Idade Média chegaram a ser centenas, perde-se no orgulho e na vaidade de ter a maior e a melhor entre elas. Nada mudou entretanto...Continuamos a querer a melhor e maior casa (sendo o termo inevitável de comparação a do vizinho...)o melhor e maior carro...
Consta que quando algum membro das endinheiradas familias bolonhesas cometia algum crime era obrigada a cortar na altura da torre.. Olha se isso se fizesse agora!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Recomeçar...


Tristemente abandonado este blogue merecia outra atenção… O autor vagueou, entretanto, por entre os ventos e marés (desculpem lá o cliché… mas é adequado) da  vida pessoal que, hão-de compreender merece a atenção máxima.
“Arrumada a cabecinha”, e agora que a calma voltou, o autor está disposto a retomar o leme… E está disposto a dar mais atenção aos “prumos” já que os “rumos” dominaram completamente a primeira fase da vida deste blogue. Uma atenção que , se não for diária, tentará ser …frequente. Até logo.